segunda-feira, março 31, 2008
Viva!
sábado, março 22, 2008
Dia de Páscoa
sábado, março 15, 2008
The end
Quando o corpo não o consegue conceber;
Quando o objecto do mesmo se preocupa mais com o prazer da carne do que com o da alma;
Quando nos apetece mais bocejar do que beijar;
Quando o/a nosso/a querido/a nos faz "roll our eyes" ao ouvi-lo falar com outras pessoas;
Quando descobrimos que o mesmo gosta mais dos nossos elogios do que de nós;
Quando ouvimos a mesma coisa várias vezes sem que o dito se aperceba de que já disse aquilo antes;
Quando o seu corpo lhe importa mais do que o nosso;
Quando ele discute, ao euro, a conta do jantar;
Quando, finalmente, os nosso olhos miram com interesse outros que não "o desejado".
Aí o desejo morre e o que se estabeleceu em seu nome sobrevive em doses várias, em função dos compromissos estabelecidos e da dificuldade (ou a falta dela) em quebrá-los.
segunda-feira, março 10, 2008
Discorrendo sobre o desejo
quarta-feira, março 05, 2008
Voltando ao que interessa
(tentem ouvir isto, se conseguirem)
O grão do desejo quando cresce
É arvoredo, floresce
Não tem serra que derrube
Não tem guerra que desmate
Ele pesa sobre a terra
Mais que a lei da gravidade
E quando faz um amigo
É tão leve como a pluma
Ele nunca põe em risco
A felicidade
Quando chegar dê abrigo
Beijos, abraços, açúcar
Só deseja ser comido
O desejo é uma fruta
E com ele não relute
Pois quem luta
Não conhece a força bruta
Nem todo mal que ele faz
Satisfeito é uma moça
Sorrindo, feliz e solta
Beije o desejo na boca
Que o desejo é bom demais
Paulinho da Viola
terça-feira, março 04, 2008
Uma história de amor em poucas palavras
http://www.aeveritt.com/images/Absence.jpg
Ela tinha um amor. Havia complicações, distâncias, expectativas irreais. E o amor foi-se embora. Ou ela percebeu que ele apenas havia picado o ponto e depois picado a mula.
Ela chorou... e depois arranjou outro.
A história terminou.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Vontade
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Ritual
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Jamais
Julgas que eu nunca te amei
E hoje escarneço de ti
Relembrando que quando sofri, chorei
E Deus, que ouviu sem cansar
Promessas e juras de amor
Só Ele sabe
Que eu te adorei com fervor,
com ardor
Mas finalmente passou
A febre com que eu te quis
A estrela que me faz feliz, voltou
E não me recordo da dôr,
Que senti, ao perder este amor
Este amor que tal qual uma flôrJá murchou.
És inocente em pensar
Que por ti hoje vivo a chorar
E, não te lembras porém,
Que este alguém
Agora já é capaz
De suportar esta dôr
E clamar que não quer teu amor Jamais
E se um dia sentirmos que todos os nossos amores, como uma flor, já murcharam?
E se nos julgarmos incapazes de amar e aturar quem quer que seja?
Estaremos mais independentes? Menos carentes? Mais "no ponto" para encontrar a pessoa certa?
Ou, como flores, somos pessoas murchas que já perderam a alegria de viver?
domingo, fevereiro 17, 2008
Na praia quase deserta

Cá fora, escaldava o sol do meio dia. Na praia semi-deserta esperavam-nos as toalhas, limpas, cheirosas e paradas. Lá dentro, a água estava tão quente que em certos momentos a preferiria mais fria. Uma água onde boiavam as folhas das árvores caídas na praia. Fora isso, uma água linda, límpida, de um azul extraordinário. Uma água que arrastava para a areia conchas lindas - sem que houvesse atenção para as observar - e pedaços de coral.
Estava-se muito bem dentro de água. Uma água onde se caminhava sem atingir profundidade. Uma água onde se podia estar quase deitado, como numa grande - e felizmente pouco frequentada - piscina.
Alguém disse que perto daquela ilha haviam tubarões. Eu não dei por nada. Estar ali era demasiado maravilhoso para perder tempo com ninharias como essas. O sol beijava-me. O mar acariciava-me.
É em momentos assim que nos damos conta de que o Paraíso existe. Estava ali... à minha espera. Hei-de voltar.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Desencontro
À medida que falavas, eu ia desenhando o teu retrato mental, encaixando-te num perfil onde o que me dizias fizesse sentido. Um pouco cliché talvez, preconceituoso, eventualmente, mas as tuas características não podiam chover ao acaso, tinha que haver um padrão, um retrato, um tom.
Não disseste se eras filho único, mas imediatamente presumi que fosses. Com um pai doente e depois falecido (disseste) e uma mãe avassaladora (presumi), abdicaste da tua carreira (querias realmente ter uma?), daquilo que a tua licenciatura eventualmente te daria, para te dedicares a um emprego menor, cuja única vantagem seria a de te manter perto dos teus pais e, agora, da tua mãe (estarei certa em adivinhar que ainda moras com ela?).
A mãe avassaladora e protectora do seu único filho impediu-te de estabelecer as relações certas na hora certa, deixou-te tímido e inseguro e agora, ali estavas tu, sózinho, com idade para uma relação, ou sem ela, mas, definitivamente, com idade para teres experiências, vivências.
A tua voz arrastava-se. Falavas provocando o monólogo que se alimentava das minhas frases curtas e não demasiado encorajadoras. Continuavas, talvez com medo que se estabelecesse um silêncio embaraçoso. A certa altura disseste: "Há mais alguma coisa que queiras saber sobre mim?". Nem a boa educação nem a polidez fizeram com que me lembrasse de alguma.
À medida que prosseguias, senti que o teu inicial quase entusiasmo se desvanecia, que morria devagar. Acho que não fui demasiado cruel, mas também não te salvei. Assisti, impassiva, enquanto te enterravas, enquanto vias, devagarinho, a impossibilidade de eu alguma vez retribuir o que pudesses sentir por mim.
Acho que me perguntaste uma vez sobre o meu trabalho. Respondi, sem dizer tudo, mas dizendo o suficiente para suscitar o interesse e as tuas perguntas. "Sim, sim, claro, claro" foi a tua resposta. Ainda não compreendeste que uma das formas de melhor entrusarmos com outra pessoa é interessarmo-nos pelas suas coisas.
Tive pena de ti. E tive pena de ter pena de ti. Porque, no fundo, até não eras mau rapaz, sem tãopouco és feio. Até podias ter charme, se quisesses. Mas não.
Ter-te-ia explicado, se fosse outro o caso, que a lei da vida é a lei do mais forte. O homem que atrai as mulheres é o homem que emana segurança e poder. O homem fraco atrai a mulher protectora, que é mãe daquele homem antes de ser mãe dos seus filhos que depois os trata a todos da mesma forma.
Para o melhor e para o pior, não sou essa mulher protectora que quer acarinhar como a um filho o homem cheio de inseguranças que lhe chega ao pé. Também já vi as consequências perniciosas dessa atitude, a longo prazo.
Por isso, nada me restava que deixar que te enterrasses até que a única alternativa fosse, educadamente, terminar a nossa conversa.
Querido Rui, nunca mais nos veremos e não tenho pena. Talvez encontres uma mulher protectora que se incompatibilize com a tua mãe enquanto esta for viva e depois a substitua; talvez mudes e dês o grito do Ipiranga. Talvez continues na tua vidinha monótona que nada tem a ver com o que eu quero da minha.
Mas foi bom conhecer-te. És mais um detalhe da lei da Vida.
terça-feira, janeiro 29, 2008
Cores
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Sangue
Nas mãos umas unhas largas, tratadas, aparadas, pintadas de vermelho. Na areia, cascos cuidados trotam ao som da música. Ansiedade. Adrenalina. Uns olhos grandes olham a multidão febril e tentam entender o incompreensível.
As mãos olham para ti Devoram-te. Passam delicadamente pela tua pele e sentem. Sentem, correm, tocam, afagam. E, por fim, desejam-te.
A música toca. Cavalo e cavaleiro sentem-se em uníssono e ao som da música. O adversário espera. Teme. Aguarda no seu canto. Ninguém o preparou para isto e não sabe o que vai acontecer. Há uns panos vermelhos que esvoaçam e lhe ferem o olhar.
Como as unhas das mãos que percorrem o teu corpo nu. Mãos vermelhas, garras, ou simplesmente mãos carinhosas que tocam e querem o que tocam.
Prossegue a festa dos sentidos. Tourada. Jorra o sangue. Escorre um fio pelo dorso de músculo puro do touro negro. Escorre a seiva pelos corpos que fervem.
O touro de corpo de músculo puro sente-se cada vez mais fraco. Um líquido daquela cor perigosa escorre do seu dorso e ele vai sentindo o seu calor, enquanto corre. A ferida arde. A multidão grita. É o pesadelo. Depois, o fim.
As capas arrastam-se pela areia onde os pés já andam sem medo.
E num quarto fechado um homem contempla, sem ter palavras, as mãos com unhas pintadas de vermelho, de uma mulher.
“Agora és carne da minha carne e sangue do meu sangue”.
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Apologies
A gerência tem livro de reclamações.
E não se pode fumar neste estabelecimento porque ainda não foram instalados os aparelhos de extracção do ar.
domingo, dezembro 23, 2007
A Christmas Story - Parte I
Ele não disse nada.
Aai!... – gemeu ela. Então e o que pesa esta barriga!...
Ele começou a assobiar e a olhar para o lado.
- Olha, olha – disse ela – está ali uma casa com uma tabuleta. Vai lá perguntar!
- Já disse que não gosto que me dês ordens! – disse ele.
Aproximaram-se da casa e ele tocou a porta. Apareceu um homem de blusa suja com nódoas e barba escura.
- Hmmm… arranja-se por aqui um quartinho para dois? Cama de casal, por favor…
- Não alojamos pedintes! - E fechou a porta.
Os dois continuaram a andar, cabisbaixos.
- Se ao menos não andasses com esses trapos e te lavasses mais… - disse ela.
- E se te calasses? Só aqui estamos por tua causa! – respondeu ele.
- Ai agora a culpa é minha?
- Se não te metesses em alhadas…
- Para informação do senhor, eu fui escolhida para uma missão importante!
- E eu que aguente, que saia de casa e ande aqui aos caídos.
- Estou farta! Não me chateies mais a cabeça! Ainda vamos acabar debaixo da ponte!
- You silly woman! Aqui não há rios!
- Não me venhas agora tentar impressionar nó porque sabes latim! Vamos acabar num curral, então.
Ele irritou-se e deu um pontapé numa pedra. Ficou ali aos saltos, a queixar-se e ela continuou a andar e fingiu que não o conhecia.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
A maçã - Parte 3
quarta-feira, dezembro 12, 2007
A maçã - Parte 2
Depois, sentiu os olhos e achou que talvez os pudesse abrir. Abriu e olhou em volta. Por cima de si, as copas das árvores. Abaixo, o tecido de cetim vermelho onde estava deitada. Ao lado, várias vozes!
- Oh, Oh!